PROCESSO HISTÓRICO

A cerâmica é a mais antiga das indústrias, iniciada na Era da Pedra Polida quando o homem saiu das cavernas e passou a praticar a agricultura. A partir deste momento, a necessidade de construir abrigo e de confeccionar peças para transporte e armazenamento de frutas e água cresceu e o homem atentou para as características da cerâmica, perfeita para a elaboração de peças resistentes, impermeáveis e de fácil confecção.

 

A princípio, o homem começou a utilizar o barro endurecido pelo fogo para substituir as vasilhas feitas de frutos como o coco e até mesmo a pedra polida. Comum a praticamente todas as culturas do mundo, a cerâmica está entre os objetos mais encontrados em escavações arqueológicas, apresentando características culturais e químicas de cada região em que é fabricada.

 

Hoje, mesmo depois de mais de 10 mil anos, a cerâmica permanece presente em nossa sociedade seja nas formas mais tradicionais como nos vasos e utensílios de cozinha, passando pelos objetos de decoração, da construção civil (tijolos, telhas, azulejos, etc), e, mais recentemente, tem sido empregada na fabricação de componentes de foguetes espaciais: pastilhas de cerâmicas compõem o nariz dos ônibus espaciais, motores de carros e componentes isolantes da rede elétrica.

 

Depois de anos de evolução, milênios, o ser humano tem buscado soluções para problemas cada vez mais desafiadores, e, o material que a princípio revolucionou o seu tempo quando utilizado para transporte de frutas e água, hoje tem alçado voos mais longos sendo utilizado para transportar eletricidade e até mesmo pessoas ao espaço. (Ana Paula Cardoso)

A CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE

Mudança
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Mesmo com mudanças, lenha ainda é usada em boa parte das cerâmicas do Rio Grande do Norte

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Produção
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Produção ceramista no estado gera faturamento médio anual de R$ 208 milhões

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Cerâmica - Jéssica Mafra (46).JPG
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Mesmo com mudanças, lenha ainda é usada em boa parte das cerâmicas do Rio Grande do Norte

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Por Daniel Alves

 

Em tempos de consciência ambiental é necessário criar novas maneiras de diminuir a poluição sem perder a eficiência na produção de materiais que necessitam de uma produção mais rústica. Esse é caso das cerâmicas, que precisam queimar seus produtos na etapa final de produção. O processo de queima envolve a alimentação do fogo com madeira e emissão de uma grande quantidade de fumaça poluidora no ambiente, por meio das chaminés.

 

Mas existem exemplos que estão contribuindo para uma transformação desse processo. É o caso da Cerâmica Progresso, em Assú, que desenvolveu e patenteou um novo forno para queima dos tijolos na empresa. Esse forno possui maior eficiência, garantindo menos queima e mais calor.

 

Outra característica de extrema importância é o fato desse forno usar apenas 20% de madeira no processo de produção, sendo que os outros 80% são compostos de serragem. Os resíduos deixados pela madeira nas serrarias e que antes era jogado no meio ambiente, hoje é comprado e reaproveitado na alimentação do forno.

 

O modo de produção da Cerâmica Progresso garante uma fumaça branca, de baixíssimo teor de poluição do ar. Outra alternativa que também está sendo testada pela empresa é a semente do Açaí, que pode substituir a serragem futuramente e que também garante um baixíssimo grau de poluição no processo de queima.

 

A madeira utilizada no processo é certifica pelo IBAMA, garantido a extração dentro das normas ambientais. Para que esse processo de produção fosse melhorado a empresa realizou um investimento que será reposto em médio prazo ou até antes, já que as cerâmicas ocupam hoje segundo lugar na economia do Vale do Açu. Com essa visão a empresa inicia o processo de adequação às leis ambientais para a proteção do meio ambiente, com menos desmatamento e menos poluição do ar.

FIERN

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Amaro Sales, disse que a federação incentiva, junto com outros parceiros, o desenvolvimento da indústria ceramista de forma sustentável, mas reconhece que ainda há algumas dificuldades.

 

Junto com o Idema/RN, a Fiern pretende fazer um monitoramento das cerâmicas para acompanhar a evolução de cada uma, no tocante à busca por métodos produtivos mais sustentáveis e menos poluentes.