de Mossoró

para Londres

Pensando no custo que a escola tem com pasta de dente e uma ideia inspirada numa tradição popular, as irmãs gêmeas Thais e Taianny Oliveira, e o seu colega Francisco Ramon Rocha, decidiram iniciar uma pesquisa científica sobre a casca do juazeiro, árvore típica da região Oeste potiguar.

 

Percebendo a potencialidade da substância que consegue reduzir cerca de 70% o teor de bactérias, os alunos da Escola Estadual Moreira Dias, em Mossoró, conseguiram encontrar a fórmula de fazer um creme dental com baixo custo e orgânico. Com apoio da professora/coordenadora pedagógica Maria do Socorro de Souza e grande incentivadora do projeto, a ideia conquistou o mundo.

 

Em agosto de 2013 os alunos foram convidados a apresentar o Kijuá – nome dado por eles ao creme dental – no Fórum Internacional de Ciências para Jovens (LIYSF), na cidade de Londres, Inglaterra. Antes de chegar ao velho continente, o grupo participou da II Feira de Ciências do Semiárido Potiguar, ocorrida no fim do ano passado em Mossoró e promovida pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC).

 

A experiência rendeu o prêmio de primeiro lugar geral da exposição que por sua vez resultou no convite a Londres. O experimento com as raspas de juazeiro começou ainda no segundo ano do ensino médio. É nesse ano que todas as escolas públicas da região Oeste estão incluídas no programa “Ciências para Todos no Semiárido Potiguar”, realizado pela Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

 

A instituição federal capacitou professores e coordenadores pedagógicos para que eles estimulassem a pesquisa dentro das salas de aula. A aluna/pesquisadora Thais Oliveira relatou que a maior dificuldade foi encontrar uma fonte bibliográfica relacionada ao tema. “Tivemos um enorme trabalho, já que tudo o que tínhamos era do conhecimento popular. Mas era necessário melhorar estes dados ao método científico”, lembra Thais.

 

Outra dificuldade era a falta de um laboratório de química na escola em que estudam. Todos os exames foram realizados nos laboratórios da Ufersa. Para comprovar a ação anti-bactericida do produto, acreditem se quiserem Thais, Taianny e Ramon passaram três dias sem escovar os dentes.  “Depois disso, ao utilizar o produto, mais de 70% das bactérias haviam desaparecido. É o mesmo percentual de uma pasta de dentes comum”, disse a estudante.

 

PATENTE

O creme dental, atualmente, passa pelo processo de registro de patente. A ideia dos alunos é abrir uma empresa futuramente para comercialização da descoberta. Um dos idealizadores do projeto conta que já receberam telefonemas de indústrias de produtos cosméticos interessadas no produto. Já foram procurados pela Natura, uma das gigantes do setor. “Muitos empresários já mostraram interesse em comprar o projeto para desenvolver o produto. Mas nossa intenção é conseguir apoio (patrocínio) para melhorar a pesquisa”, conta Francisco Ramon.

Foto: Ney Douglas/Novo Jornal